FABIANO CALIXTO SOBRE  A OBRA DE FLORA ASSUMPÇÃO

2011

  

Verde azul amarelo rosa e branco

 

¨ ária: vivo, volve: alvo em alta alvura: entra, penetra, espelha mil ilhas nas pupilas: orbita como quem espalha o olho pelo espelho: adentra: pés, mãos, unhas, articulações: caminha: olhos, lábios: presságio epifania: duplo doublet: medo à capela. Solta, desata, amarra & agarra. Terra nos olhos: planeta água – dinâmica. A serpente que cria, a serpente que cala. Verde azul amarelo rosa e branco. Movimenta-se ­– infinito círculo: nos seios dos séculos os ciclos: ciclos: ciclos: Bemsemsomsolsalmal: Céucemcomcordordarmar: urgência-regência – ao movimento. Mo-ver-se: onde: areia concretiça: a arquitetura faz frente e afronta ao frontda mente: que responde ao inventar um épico Blake a encher o estômago da neblina faminta que povoa a floresta: uma outra: uns: outros olhos abertos: anarquitetura: textura: poéticas. Ainda: olho do furacão. Ou: um ensaio sobre a modulação, ossatura, simetria, tessitura: casamentos perfeitos: rimas que embebedam as línguas: que se enxugam-excitam umas às outras: como serpentes aninhadas: alojadas no jogo sexo-semântico: céu & hell. A língua: a língua: livro de som & saliva: cedo ou tarde: (de Vênus ou Marte): das profundezas da alma da carne: à capela: a poesia (vinho da vida) desabotoará o vestido do tempo: deixando escapar a libido eterna: fazendo a chuva cair na terra: extrai corais: extrai pérolas: & com a ira das íris d’Osíris: arco-íris. Moenda de escamas geométrica: sob um céu opala que (a todos os olhos): mandala. Ou: diagramas de cacos de vidro: à saída revolta: encapelado. A serpente sedenta sorve o céu: o céu cede, sedento, à serpente: sem cessar, a serpente sorve o céu que a serve: o céu que serve cede à sede da serpente que o sorve: a serpente sedenta sorve o céu. O bote de uma ária no último músculo do crepúsculo: serpentário: serpentária:

 

  

Fabiano Calixto